24/06/2021

MONITORAMENTO BIOACÚSTICO E PRESERVAÇÃO AMBIENTAL

O rápido crescimento populacional, o consumismo e a exploração irresponsável dos recursos naturais têm destruído a natureza como nunca antes. A criação de áreas de proteção ambiental é uma das medidas que tentam reverter esse processo, e o monitoramento bioacústico é uma boa solução para fiscalização dessas áreas.

O monitoramento bioacústico é uma estratégia baseada na Bioacústica, uma ciência que estuda o comportamento sonoro dos animais.

Entenda um pouco mais sobre como o monitoramento bioacústico pode ser utilizado para preservação das espécies e recursos nas áreas de proteção ambiental.

Bioacústica e  monitoramento bioacústico

A Bioacústica é uma ciência multidisciplinar, envolvendo conhecimentos principalmente de Biologia (comportamento animal), Física (acústica) e Matemática (análise de dados). Ela estuda o que determinado som produzido por uma espécie animal indica sobre seu comportamento. 

Essa ciência surgiu por volta dos anos 1960, quando o monitoramento bioacústico pôde começar a ser feito através de  gravadores portáteis. Entretanto, com os recentes avanços tecnológicos, especialmente na área da computação, ela está bastante avançada.

As vantagens em relação ao método visual de observação são muitas, entre elas:

  • observação em qualquer período do dia, pois não requer iluminação;
  • instalação de equipamentos em áreas de difícil acesso;
  • não interferência de pessoas durante a coleta dos dados;
  • possibilidade de revisão dos dados, por conta do armazenamento das informações

No Brasil, o monitoramento bioacústico tem sido usado, por exemplo, para investigar o comportamento ingestivo e de pastejo de bovinos. Cada atividade, seja a ruminação ou a ingestão de água, gera padrões sonoros distintos, auxiliando na tomada de decisões quanto ao manejo dos animais.

Para além disso, a Bioacústica tem sido aplicada em tecnologias mais eficientes de monitoramento bioacústico que visam a conservação de áreas de proteção ambiental. Esses espaços têm se tornado cada vez mais importantes para o futuro do planeta.

A importância das Áreas de Proteção Ambiental

A Terra é como um organismo vivo, cujas partes, vivas ou não, mantêm entre si uma relação de interdependência. Portanto, a preservação da sua diversidade é fundamental para que ela se mantenha em equilíbrio e permita a continuidade da vida.

Embora o planeta seja capaz de se autorregular diante de diferentes mudanças, como as climáticas, os impactos gerados pelos humanos são tão intensos que não dá tempo de fazer os devidos ajustes. Assim, a criação de áreas de proteção ambiental (APA) se torna imprescindível.

Uma APA é uma extensa área natural protegida por legislação específica. A Lei 9.985/00 institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC). O objetivo é conciliar a ocupação humana e a utilização sustentável dos recursos do local. 

No Brasil há em torno de 300 áreas de proteção ambiental. Dois exemplos são a Área de Proteção Ambiental de Tamoios, no Rio de Janeiro, e a APA de Campinas, em São Paulo.

Apesar disso, a fiscalização desses lugares nem sempre é fácil, seja pelas características do terreno ou pela falta de fiscais. É esse o problema que o monitoramento bioacústico tenta solucionar.

Como funciona o monitoramento bioacústico

O monitoramento bioacústico é uma técnica utilizada para identificar e monitorar animais através dos sons que eles produzem. Ele pode ser utilizado em áreas de preservação ambiental sem interferir na natureza, por meio de dispositivos de detecção de diferentes sons, animais ou não,

Dessa forma, isso permite não apenas mapear e monitorar espécies locais, mas também captar sons que indicam atividades ilegais, como tiros e serras elétricas.

Algumas etapas envolvidas no processo de monitoramento bioacústico são:

  • customização dos equipamentos com os devidos algoritmos;
  • instalação dos equipamentos;
  • coleta de dados;
  • análise dos dados.

A análise dos dados permite detectar possíveis distúrbios no local. Isso é fundamental para tomada de decisões, como o envio de fiscais com o objetivo de verificar de perto o problema e propor soluções. 

No entanto, há algumas dificuldades relacionadas ao amplo uso desses equipamentos para o monitoramento bioacústico: eles costumam ser grandes, consomem muita bateria e têm softwares de difícil customização. 

Além disso, são bastante caros, de 200 a 700 dólares, o que os torna pouco acessíveis para as comunidades locais, pois são necessários muitos dispositivos. 

No entanto, alternativas  inteligentes têm surgido para lidar com esses problemas, como o monitor Audiomoth.

Audiomoth para o monitoramento bioacústico

O Audiomoth é um dispositivo para monitoramento bioacústico que resolve os problemas dos dispositivos mais antigos. Ele é pequeno como um cartão de crédito, tem bateria de longa duração, suporta algoritmos de diferentes complexidades e custa de 23 a 46 dólares.

Esse monitor tem sido usado para detectar a presença de diferentes espécies, bem como extração ilegal de madeira e caça predatória.

Atualmente ele é utilizado, por exemplo, por comunidades indígenas na Selva Negra, no México, para monitorar felinos de grande porte. Já na reserva Tapir Mountain Reserve Research, em Belize, o dispositivo ajuda no combate à extração de madeira e caça ilegais.

O potencial de uso do equipamento para o monitoramento bioacústico é bastante amplo, especialmente na América Latina. Nos últimos 40 anos teve 83% da sua população de vertebrados extinta e 96 milhões de hectares de floresta destruídos! 

Para amenizar as consequências desse cenário alarmante, é fundamental combinar diferentes esforços, sejam científicos e tecnológicos, institucionais ou mesmo individuais!

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