31/05/2021

Cidades-esponja: Entenda sua relevância

A importância das cidades-esponja

As cidades-esponja, com esse nome fora do comum, são um novo modelo de urbanização sustentável que tem se destacado nos últimos anos. Países como China, Estados Unidos e Dinamarca têm se tornado adeptos a estas medidas. 

As cidades-esponja são uma iniciativa usada por urbanistas para assegurar uma drenagem da água da chuva de forma eficiente em conjunto com a preservação da natureza.

A forma com que as grandes cidades estão acostumadas a lidar com a água é problemática. No Brasil, por exemplo, estamos acostumados a ver a água da chuva sendo escoada pelas bocas de lobo. 

Porém em períodos de tempestade essa forma de escoamento não é tão eficiente. As bocas de lobo não aguentam o volume das águas, a sujeira e o lixo as entopem e as ruas começam a alagar. 

Assim, anualmente vemos notícias de cidades e bairros mal projetados que sofreram com fortes chuvas. E após a chuva, a água é jogada de volta aos rios, nesse processo ela se mistura com o esgoto causando assim outro problema.

As cidades-esponja surgem como alternativa sustentável para o problema do escoamento. Trazendo um leque de opções e recursos que garantem que a água seja absorvida pelo solo de uma forma mais sustentável e inteligente. 

Segundo a Unesco, zonas úmidas sozinhas podem remover de 20% a 60% dos metais na água e reter até 90% dos sedimentos de escoamento. Alguns países chegaram a criar zonas úmidas para tratar as águas residuais industriais

A qualidade de vida gerada pelas cidades-esponja é muito maior do que estamos acostumados a ver. O desenvolvimento sustentável e a preservação da natureza são os carros chefe dessa brilhante ideia.

Mas como funciona essa forma de arquitetura sustentável? Conheça alguns recursos usados pelas cidades-esponja:

Parques alagáveis

Localizados em pontos estratégicos próximos de rios e costas, os parques têm a função de realizar o armazenamento de água. Além de serem ótimos meios de lazer e interatividade, são uma estratégia muito utilizada em cidades-esponja.

Essas cidades-esponja contam ainda com passarelas que permitem tráfego constante mesmo em períodos de chuvas e vegetação específica que ajuda na drenagem da água. Já na parte térrea, durante a cheia forma-se um lago impedindo que a água chegue à cidade. 

Fora da época de cheia os parques das cidades-esponja voltam a ter livre acesso e a serem espaços usados normalmente pela população.

Em Nova York, por exemplo, foi construído o Hunters Point South Park. Um belo lugar em Long Island e um ótimo exemplo de parque alagável.

No Brasil os parques são uma das melhores alternativas para os chamados ‘’piscinões’’, que consistem em grandes espaços sem uso durante o resto do ano. Aqui os ‘’piscinões’’ facilmente passam a acumular lixo e demandam constante manutenção. 

Telhados Verdes

Sendo a alternativa mais conhecida e encontrada pelo mundo, os telhados verdes acrescentam cor e vida às paisagens cinzas da cidade. Além disso, nas cidades-esponja tem a função de armazenar grande parte da água das chuvas e diminuir o volume de água que chega ao asfalto.

Nas cidades-esponja, a floresta urbana dos telhados traz, também, diversos benefícios como o auxílio na regulação de temperatura e filtragem de ar e água. Deixando a cidade mais fresca, com menos ilhas de calor e com o ar mais limpo. 

Porém, um problema encontrado pelas cidades-esponja é a difícil construção de um telhado verde em um edifício já existente. Uma vez que ele precisa de uma boa estrutura reforçada que aguente o peso extra e faça corretamente a filtragem da água. 

Algumas cidades pelo mundo como Copenhague já aderiram aos telhados verdes como forma sustentável de melhorar a cidade em seu Plano de Adaptação Climática.

Seria incrível se isso fosse difundido no Brasil, não é mesmo?

Pavimentos permeáveis 

A China é um dos principais países que aderem à urbanização sustentável e as cidades-esponja, assim, na cidade de Lingshui não poderia ser diferente. Para facilitar a filtração natural da água, a construção da pavimentação aderiu ao uso de bioswales.

Os bioswales são estruturas similares a canais construídos na beira de calçadas ou no meio de avenidas. Eles são formados por:

  • vegetação na parte superior
  • seguido pela chamada vala de bio retenção
  • adubo
  • solo de bio retenção
  • cascalho 
  • e por fim um tubo perfurado para receber a água.

No Brasil o tipo de pavimentação permeável encontrado com mais facilidade mescla blocos vazados de concreto com a vegetação que está embaixo. Pode ser encontrado em algumas casas e, principalmente, em parques.

Sendo uma das maiores cidades-esponja, na Dinamarca, novamente a cidade de Copenhague inovou. Foi desenvolvido um material chamado stone wool que funciona da mesma forma que uma esponja. Esse material fibroso, após absorver grandes volumes de água e a libera lentamente sem causar danos.

Praças-piscina

Criado pelo escritório de arquitetura De Urbanisten, o conglomerado de três piscinas construído em Roterdã na Holanda é uma estratégia prática, sustentável e inteligente. 

A praça é uma brilhante ideia para as cidades-esponja, o grande espaço fora da época de chuvas é usado para a prática de esportes. O espaço conta com uma quadra para basquete e futebol, além de uma arquibancada de concreto. 

A quadra é a única piscina aparente, as outras duas ficam debaixo da rua e armazenam a água da chuva. O armazenamento dura até dois dias e seu sistema permite que a água seja liberada devagar, e impede o contato da água com o esgoto.

Após o armazenamento, a água é utilizada para regar as árvores e áreas verdes da região na época de seca, além de parte dela ser filtrada e usada em bebedouros públicos.

Diversos lugares pelo mundo como Berlim, Copenhague, Nova York  e diversas cidades na China continuam adotando as cidades-esponja como forma de urbanização. E buscam soluções sustentáveis para os problemas da cidade.

O arquiteto Kongjian Yu, um dos maiores nomes no quesito cidades-esponja, afirma que o objetivo das cidades-esponja é não causar transformações aos ecossistemas naturais. Integrá-los ao meio da urbanização é de extrema importância para a construção de cidades, por terem naturalmente o poder de se recuperarem. 

O arquiteto acredita que a construção de cidades-esponja ajuda a cidade a enfrentar o período das chuvas. Mas também, faz com que ela não passe por drásticos períodos de seca durante o ano.

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